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Dessas Loucurinhas.

Dessas loucurinhas

Pequenininhas

Que quase ninguém

Como a joaninha

Que quietinha

Caminha

Pelo meu

Dedão

Dessas coisas findas

Pobrezinhas

As que ninguém

Crê

Como o amorzinho

Pequeno, mas fortinho

Capaz de salvar um mundão

Inclusive a gente

Dessas loucurinhas

Que só a gente entende

Como estar pertinho

Mesmo que não juntinho

Mesmo que serras inteiras

Separados

Sem direção

Dessas pequenas escapadelas

Pelas janelas

Antes de acabar

O verão

Dessas loucurinhas

Só minhas

Só pelas pessoas que mais amo

Daquele jeitinho

Com tanto carinho

Como você

E o violão

Dessas loucurinhas

A parte pequenininha

É vista

Em exaustão

Mas das nossas coisinhas

Essas, as mais melhores

Guardo

No meu coração.

- C.S.O

Quem disse que eu não sou uma pessoa fofa?

Para Naine

Solidão Lenta.

É uma solidão lenta.

Como a névoa que cobria a cidade quando aterrissamos.
Ou como o nascer do sol ainda frio.
Ou como a vida indo-se embora para o outro lado.
Ou como gelo derretendo no verão.

Parece natural no inverno,
Parece natural sim.
De uma forma quase poética,
É bem horrível também.

- C.S.O

É uma solidão lenta
Que entra
E pinta teu céu
De uma outra cor
Ainda mais azul
É uma doce
Tormenta
Essa coisa de dar dois passos
Para trás
E meio
Para frente
E diante de nós
Um futuro
Sei lá qual esse
Te juro que nunca vi mais gordo
Rumores
De um passado
Que gira, e gira, e gira
Pesadelos a fora
Como um carrossel
Vida lenta essa
Que passa rápido
Justiça estranha essa
Que nunca nos vinga de nada
Ah menina
Tudo que você vê e sente
É lindo
Azar o do mundo
De não querer
Provar.

- C.S.O

Sozinha?

B.
Entre os buracos da estrada e os cochilos, pensei muito sobre um monte de coisa.
Pensei muito sobre um monte de coisa.
Pensei muito sobre o amor.
E agora por detrás da lente de uma câmera nova, começo a acreditar que verei o mundo de outra maneira.
Ou que o meu mundo finalmente vale a pena ser visto.
Mas aí que está, B., ele sempre esteve de portas abertas. Ele sempre esteve aí, visível e sincero, na confusão que ele é. Nas palavras, na vocação, no capacho até. Ele sempre esteve aí tão aberto, mas a coisa que eu mais sinto, há tanto tempo que tenho até medo de contar, é que raramente alguém paga a visita, entra e vem tomar chá comigo.

- C.

Saudade.

”- Não achei que fosse te encontrar por aqui. - Me anunciei depois que A vi sentada embaixo da árvore em que Ela me beijou pela primeira vez. Ela se virou e ao me ver, sorriu. Sorriu daquele jeito, daquele mesmo do qual me lembrava e me via completamente apaixonado por.

- Eu gosto daqui. - Ela disse, sossegando os olhos, mas as covinhas não desapareceram.

- Não achei que você fosse voltar. - Comentei, me aproximando com segurança e as mãos no bolso da jaqueta.

- Achou errado. - Ela respondeu. Nos encaramos uns instantes, num misto de tolice, saudade e sei lá mais o quê.

- Posso me sentar? - Perguntei apontando para o seu lado.

- Claro. - Ela deu uma bundada para a direita e eu me sentei perto. - Ainda me admira que você faça essa pergunta…

- Acho melhor do que não perguntar. - Respondi, abraçando meus joelhos. Ela imitou meu gesto e apoiou a cabeça nos braços. Agora olhávamos ao longe.

- Como você tá? - Ela perguntou, se virando pra mim. Pensei em mentir.

- Eu to bem… - Acabei mentindo.

- Bem mesmo? - Ela parecia ler os meus pensamentos. Odiava que ela me adivinhasse.

- Por que não estaria? - Olhei para Ela, questionando. Ela não comprou a briga e desviou o olhar. Deu de ombros. Não sei.

Comecei a arrancar grama e transforma-la em farelos.

- E você? Como está? - Perguntei, tentando não deixar a peteca cair.

- To legal. - Ela respondeu vagamente, dando um ponto final àquela estupidez. Era tão estranho conversar assim, nunca tínhamos nos feitos aquelas perguntas.

- Hm…

Silêncio. Começou a ventar. Aquele nada me perturbava profundamente.

- Ontem assisti um programa no Discovery sobre as tartarugas marinhas. Lembrei de você. - Tentei retomar o papo algum tempo depois.

Ela se virou pra mim e a vi sorrir de leve entre os braços. Ela parecia estar se escondendo.

- O quê? - Perguntei. Ela me olhava de um jeito estranho, terno. Por um momento achei que estivesse chorando.

- Senti a sua falta. - Ela disse baixinho.

Por essa eu não esperava.

Parei de arrancar grama, olhei ao longe. Senti um gosto de bile voltar à minha boca, engoli de volta. Doía. Gostar dela doía de todos os jeitos possíveis.

- Se sentisse teria me ligado… - Tentei não soar magoado. Não consegui.

- Fiquei com medo. - Ela sussurrou, com peso.

- Medo de mim? Sério? - Soei incrédulo. Tipo, sério?

Encarei-a.

- Não. Não de você, seu bobo. - Os olhos brilhavam. ‘Da forma como eu me sentia em relação a você’, entendi. Aquilo foi um baque em mim. Ia dizer algo, mas não disse. Olhei para frente, ela me imitou.

- Você sentiu a minha falta? - Ela perguntou, só de sacanagem. Ela sabia que sim, estava na cara. Rangi os dentes, não queria admitir.

- Mais do que qualquer coisa… - Sussurei meio que para mim mesmo. Ela me olhou e eu olhei para Ela. Ela me sorria e mais uma vez eu caía por ela e desejava que nunca a tivesse conhecido.

- Não dá pras coisas voltarem a ser como eram antes? Simples? - Ela me perguntou, num apelo do qual eu senti dó.

- As coisas são simples. A gente é que ama complicar. - Respondi. O feitiço contra o feiticeiro.

Ela fechou os olhos e respirou fundo. Enterrou o rosto nos braços, odiando a si mesma.”

- C.S.O

"Our fingerprints don’t disappear from the lives we touch"

Nossa História.

Uma vez me disseram que a nossa história podia virar um livro. Pensei seriamente sobre o assunto e cheguei a conclusão de que podia mesmo. Quando a registrei, nunca lhe dei este propósito, até porque eu escrevia pelo simples ato de escrever. É o que o que os escritores fazem, afinal. Acho que tudo sobre o qual eu escrevi foi sobre a minha vida. Sobre os sorrisos que eu capto, sobre as lembranças que tenho e sobre as histórias que eu vivo ou deixo viver. Eu sempre escrevi sobre a minha vida, mas de uma forma que é quase decodificada. Tem vezes que nem eu consigo colocar em ordem, o que até soa engraçado. Acho que essa é a graça da ficção, essa linha tênue. A gente sempre fica tentando diferenciar o que é real do que não é.

- C.S.O

Sta. Ana.

Fui na basílica de Sta. Ana
Pedi por você.

- C.S.O