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De Um Sonho.

"Foi a coisa mais real que já senti na vida. Ali do meu lado, podia sentir o seu calor, surgindo e evaporando, a sua prensença ali, quase como um espectro, dormindo calmamente. Eu queria tanto te tocar porque o que eu sentia não cabia mais em mim mesma. Acariciei seus ombros e um arrepio na espinha me percorreu toda. Eu queria mais, queria mais mesmo já tendo tido o suficiente. Você também sentiu e despertou, se virando toda para mim, caindo diretamente em meus braços, na minha armadilha. Eu sorri no escuro quando seus cachos castanhos se desenrolaram e senti você sorrir também quando entrou em contato com a minha pele negra. Era amor. Era amor sim, só podia ser. Ali no escuro, nos encarávamos, mesmo sem poder ver direito a cor dos nossos olhos. Nos encarávamos e a luz do dia era só um despertador silencioso ínfimo e distante. Acho que sussurei "bom-dia", mas não tenho certeza. Porque qualquer palavra dita podia cortar em dois aquele silêncio tão maravilhoso. Você não me respondeu, mas senti seu rosto se aproximar e seu nariz tocar o meu. Eu queria te beijar, nossa eu te queria toda logo assim, cedo. Tendo você bafo de onça ou não. Você ficou brincando comigo, encostando e tirando meu nariz do seu. E minha boca entreaberta pronta pra te devorar assim que você parasse quieta. Não aguentei a espera e o meu abraço, que até então era de carinho, ficou tão duro que você não conseguia mais se mexer. Minha mão esquerda no precipício da sua cintura nua e a minha direita te abraçando pelo ombro e você olhando pra mim, estática, me sustentando. E sorrindo, claro. Nos beijamos uma vez, devagar e lentamente, e eu senti todos os músculos de nossos corpos ficarem mais rígidos. E daí de novo, e de novo, e de novo, até eu perder o controle e você estar inteira sobre mim. Com todo aquele teu corpo pesado e branco, seus cabelos castanhos me cegando como se eu estivesse numa floresta densa. Achei que tivesse me perdido em ti até que sua boca me achou de novo e nossos corpos se enlaçaram de novo, mãos, pés e dedos, pelos e cabelos, nos unindo como dois rios que deságuam num mar.
Foi a coisa mais real que senti na vida. As tuas mãos e pés frios, os teus medos, os teus cachos castanhos que desciam até as costas. Senti as tuas estrias, senti as tuas espinhas e pra mim elas não pareciam defeitos. Senti tua mancha de nascença, senti teu pescoço nu e você me abraçando forte, mas tão forte, que achei que você fosse parte de mim. Você era, você é. Em cada cor que o céu toma, em cada fase da lua, em cada tempestade e gota de chuva, você está ali pra mim. E quando eu te via de longe, quando você dançava tão espontaneamente, quando você fazia lição de casa tão concentrada, eu não podia fazer nada se não ter a certeza que eu tive aquela madrugada toda quando fiquei te olhando até ter coragem de te tocar. E quando você sorria pra mim só por me ver ou dava risada de qualquer coisa boba que eu dizia aí sim eu sabia que cada dor que você me causava por seus espinhos valia a pena ser sentida. Eram lembretes da tua imperfeição, imperfeição essa que eu amava tão intensamente a cada segundo. E quando nós duas caíamos lado a lado de tão exaustas de tudo e mesmo assim ficávamos juntas no final, era aí que eu sabia qual era o sentido verdadeiro da minha existência .
Eu tinha te encontrado.”

- C.S.O
No meu sonho, eu tinha te encontrado.

Aquário.

Meu coração
É essa coisa tola
Devota
Raivosa
Mas ao mesmo tempo
Tão calada
E silenciosa

Meu coração
É fudido
É louco
Se joga no trilho do trem
Se afoga
Quando acha
Quando teima
Que sim

Meu coração
É irreversivelmente masoquista
Mas até o maior dos céticos
Reconhece sua bravura infinita

Meu coração
Tão perigoso
Tão livre
É de aquário.

- C.S.O, uma aquariana típica.

Criaturinha (Por Um Marinheiro Português).

Criaturinha
Tu és a história mais louca
Que posso contar
Com tuas acrobacias de menina,
Oh Deus
Quase se torna mulher da noite
Pro dia.

E quando a lua de sangue
Surge no céu
Percebo que amar
Não é o suficiente
Pois se fosse
Serias toda minha
Minha, oh Deus
Como aquela canção de ninar.

Se pudesse lhe dar uma prova
De que não existem pessoas
Iguais
De certa forma, a conquistaria pra sempre
Mas nunca, oh Deus
Nunca havia de te desapontar.

Te juro meus mais devotos
Sentimentos
Te juro meus mais sinceros
Pensamentos

Se entregue nas mãos do destino,
Criaturinha
Nunca sabemos pra onde a maré
Vai nos levar.

- Por um marinheiro português.

Ele Disse.

"Vi seus pés quase alcançarem o infinito e meu coração parou. Não dê mais um passo sequer! Ele se desequilibrou. Segurei-o pelo braço e tentei agarra-lo num abraço para tirá-lo do precipício. Me solte, ele disse, me solte. Não podia deixar ele fazer tal coisa, não podia, como ele poderia pedir que eu o soltasse?

Volte pra casa, pedi. Volte pra casa que mamãe já chega e nos faz jantar. Tinha a ilusão que com aquele ensopado de legumes ele fosse simplesmente se convencer de que tudo fosse ficar bem e de que amar era sim o suficiente. Deveria ser, não deveria? Quando a gente paga o preço, anda descalço no gelo e muda toda uma geografia, amar deveria ser o suficiente. Contra todos os gostos e ritmos, amar deveria mudar tudo e fazer com que os finais felizes não fossem só de contos de fada.

Não posso voltar, ele disse. Não posso voltar e talvez você não entenda. Talvez daqui a 30 anos quando você contar essa história para outros e lembrar disso, talvez ali nem você nem eles entendam ou acreditem que uma vida pode acabar por um motivo tão bobo. Não há nada que eu possa fazer quanto a isso, ele disse, essa história não é pra ser acreditável. Ela é pra ser verdadeira e a verdade é que o amor é um nada e que enlouquecer é o verdadeiro sentido de tudo. Dá um certo sabor, entende?

Eu não entendi. 

E quando o vento deu uma lufada fazendo todos os corvos de seus cabelos negros e compridos alçarem voo, eu cai no chão e achei que fosse o fim. Mas todo fim é um novo começo, ele disse, e talvez daí tenha vindo a sua coragem de enfrentar a morte. 

Não posso ir pra casa ainda, ele disse. Mas diz pra mamãe que antes do amanhecer eu devo voltar.

E pulou antes que eu pudesse convencê-lo de que o amanhã nunca virá pra quem não estiver vivo pra vê-lo.”

- C.S.O

"Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice."

- Martha Medeiros (via indeferindo)

(Source: prestigiador, via indeferindo)

B.

Acho que esta noite fiquei sóbria demais. Você pode achar maluquice, mas me senti como uma garotinha tentando alcançar seu balão de hélio que voou pra longe até achar algum teto. Por mais que eu esticasse a mão e subisse em algum ombro, eu não o alcançava.

Talvez  eu a tenha visto em todos os cantos, talvez eu a tenha ouvido em todas as músicas. Tudo coisa da minha imaginação.

Isso me mata às vezes, ficar alucinando.

Acho que esta noite fiquei sóbria demais. Porque por mais que eu tentasse me afastar dos fantasmas, eles me encontravam quase que por coincidência. Mas não há coincidência alguma no universo ou há?

Sempre me perguntei porque as pessoas bebem, porque enchem seus corpos de entorpecentes porcarias. Acho que talvez tenha chegado a uma conclusão sensata, é tudo morfina. Quando o álcool nos invade, ele desperta nossos sentimentos mais reprimidos. E tudo parece tão mais divertido e surreal, e não sentimos dor alguma. Ou, no meu caso, sentimos até demais.

Se quer saber, as pessoas bebem pelos mesmos motivos que eu bebo. Elas bebem porque devem ter insônia e quando finalmente adormecem, não tem mais vontade de levantar. Elas bebem porque possuem algum caderno surrado onde escrevem coisas que ninguém no mundo deveria ler. Ou pensam e veem coisas que não ousam contar.

Aho que esta noite fiquei sóbria demais porque resolvi me garantir uma coisa. Acho que fiquei sóbria porque resolvi manter uma fidelidade que não pertence a ninguém, porque sei que seja lá em que estado mental eu esteja, eu ainda vou ser a mesma fracassada que nem sustentar o olhar de alguém direito sabe. Pois é, acho que fiquei sóbria demais porque um certo alguém me disse pra eu nunca subestimar meus sentimentos.

- da sua C.

Acho que não sou quem eu deveria ser.

Fui dormir ouvindo Radiohead,

fruir:

porque tentar entender a humanidade me esgota e me joga na exaustão.

Indagando sobre os ideais de liberdade, compreendo que subsistimos em um cativeiro mascarado e, reprimidos por essa falsa sensação de autonomia, vivemos e morremos sem perceber que ludibriamos nós mesmos. Existimos no mar da ilusão e afogamo-nos sozinhos.

(Source: tarimbado)

"Everything that kills me makes me feel alive." 

Counting Stars - OneRepublic

Sobre Patrick Charaudeau.