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Das Pessoas Amadas.

O pior é que não eram pessoas ruins, eram pessoas boas. Confusas talvez, incertas. Mas boas. Talvez por essa razão eu não soubesse bem como ter ou sentir raiva. Era difícil, eram pessoas boas. Um pouco amargas, um pouco ingratas. Mas boas. E elas eram incríveis no que faziam, no que gostavam. Elas eram entregues no que amavam e por isso talvez eu me imaginava indo com elas ao cinema ou assistindo a maratonas de série e, no último dos casos, apresentando a meus pais. Eram pessoas boas, incríveis e totalmente encantadoras. Com as palavras cultas e os sarcasmos certos, suas respostas se encaixavam em todas e quaisqueres perguntas minhas. E eu me fascinava porque eu achava que eram elas porque tudo a minha volta dizia que eram e poderia ser. Eram pessoas amadas, apaixonadas, sortudas, mas é claro que dentre tudo, elas não sabiam disso. Eram pessoas boas e tempestuosas. Tanto que quando elas me deixaram não pude fazer nada senão agradecer.

- C.S.O

Outubro, O Décimo Sétimo De.

Passei o peso de uma perna para outra. A minha música favorita acabava quando subi no ônibus. Não encontrei nenhum conhecido no caminho, só os ecos e cochichos de mim mesma (reclamando, reclamando, reclamando).
Ah eu te odeio. Eu te odeio tanto.
Vi você passar por mim rua abaixo e nisso meu coração deu quase um pulo. Pule, pule, pule pela janela. Ah mas que besteira! Onde é que eu estou com a cabeça? Acabei descendo antes do ponto que era pra assim andar mais rápido e te alcançar quase correndo. Não cheguei a tempo.
Ah eu te odeio, como eu te odeio…
Por me fazer chegar ali, por me fazer ir até ali.
Andei pela grama, esmaguei o orvalho. Não conseguia ver direito, já fazia frio.
Você estava feliz e alegra ao se balançar no vento. Feliz e alegra como a primavera que vestia e eu achava tudo aquilo tão lindo, tão cênico. Como se eu o mundo a minha volta não estivesse a desabar.
Não, você estava bem, eu estava pior. Haviam dois braços fortes pra te segurar. Não pude te encarar nem por 3 segundos porque eu tive vergonha, e raiva, e medo porque eu não era nada, nada, nada ali.
Te vi chegando tão rápido quanto te vi partindo e chorei cada palavra, usei teu nome como verbo e no fim da frase, tive que te deixar ir embora. Tive que fechar a porta, passar o peso de uma perna pra outra.
Eu te odeio, ah eu te odeio. Com todas as minhas forças e antros e vísceras, eu te odeio um bilhão de vezes, daqui até a lua e de volta. Você estava bem, eu estava pior. E não havia nada, nada, nada que eu pudesse fazer, ser ou querer que te fizesse mudar de ideia.
Infelizmente, minha música favorita já tinha acabado quando subi no ônibus. E eu já estava esquecendo qual era a sensação mágica de ser amada por alguém.

- C.S.O

Magoada.

Presente.

Guardei tanta coisa aqui dentro, tanta coisa

Agora embrulho para presente e quero te dar

É surpresa, é surpresa até para mim

Chacoalho e chacoalho e não consigo adivinhar

Uma bola? Um brinquedo? Uma linha de pensamento?

Guardei tanta coisa aqui dentro

Que agora nem sei nomear

Pode ser o meu jeito

Que eu não paro de analisar

Desde que você me disse

O que foi mesmo que você me disse?

Me disseram

Tanta coisa

Que tive que desenterrar

Serão os sonhos? Serão as dúvidas?

Os 20 mil ‘tchau’s”?

O futuro

Quem sabe

O passado

Meu Deus

Guardei tanta coisa aqui dentro

Tanta coisa

Que o nada que sobra

Também é seu.

- C.S.O

Verde da Cor do Mar.

Vou escrever sobre teus olhos
E talvez assim
Eu caia por eles

Vou dissecá-los
Entendê-los
Analisá-los minuciosamente até me perder
Dentro

Vou escrever sobre teus olhos
Mergulhar numa imensidão de choros
E ódios
E frustrações
Humanas
Pois tudo o que é falível
Instável
De certa forma
Me interessa

Vou escrever sobre eles
E talvez algo mágico aconteça
Eu veja um cor que não se pareça
Com nenhuma outra
Que já vi

Escreverei sobre eles
E talvez se tornem meus
Talvez eles me pertençam
E aí eu não precise de mais nada
Pois eles
Olharão por mim.

- C.S.O

B.

Outro dia você me perguntou o que eu esperava desse verão, e por um instante eu percebi que talvez eu não soubesse responder. Acho que ainda não posso, acho que ainda não sei. Eu espero tanta coisa, mas mais do que tudo, um lugar tranquilo onde eu possa ver e sentir o sol.

O mundo está acabando ao meu redor. Toda vez que eu abro a página do jornal, penso sobre como nós ainda sobrevivemos. 

E você me pergunta o que eu espero desse verão que virá. Espero dele a esperança, pois acho que ela é a única que nos mantém de pé. Sei o quanto você quer que eu escreva algo sincero para que eu dê mais um salto em direção a me tornar uma grande escritora. E, te juro, estou tentando desmascarar os meus medos. Mas agora eu lhe pergunto, B.

Não seria o autor o mais complexo dos personagens?

- da sua C.

Do Meu Jeitinho.

Quando eu digo e você não responde, sempre me dá um leve aperto no coração. Um aperto de descaso meio misturado com um “eu já sabia” que eu aceito com um simples sorriso de canto de boca. Talvez eu não expresse sempre tão bem o quanto eu sou feliz quando você está perto. Acho que devo ser muito boboca mesmo, mas é que a tua presença sempre me desestabiliza de certa forma. E não há jeito pra mim mais bonito de dizer isso, só seu escrevesse mais umas 10 páginas e nem assim. Eu queria poder mostrar de alguma forma pra contigo as coisas que eu vejo e como você me acalma mesmo quando a minha cabeça está um fuss. Tudo bem que às vezes você também colabora, mas eu sempre tive meio que a filosofia de que a nossa vida só tem grande graça quando virada de cabeça pra baixo.
Ah sei lá, me frustro porque não consigo dizer o que sinto ou o quão grata eu sou. Me frustro porque não consigo dizer na hora certa e sou muito melhor com as palavras escritas do que faladas. Me arruíno porque gaguejo na hora de falar em público, esqueço o roteiro, sento de perna aberta. E porque só me dá vontade de compartilhar essas coisas tão lindas que vejo com você.
Talvez você não entenda tudo, mas certamente não irá estragar.
Desculpe-me um pouco se eu demorar a devolver o seu Dostoievski. É só que o mundo gira rápido demais, eu de menos, e sinceramente não sei o que você quer de mim e do resto. Mas até aí, eu também nunca andei sabendo lá muita coisa.

Mas eu te amo, tá?

- C.S.O

It’s not a miracle we needed

No, I wouldn’t let you think so.

1901 - Birdy

Eu e Minhas Paranoias.

Que seja breve essa minha pequena observação:
Esqueça a mim e as minhas paranoias.
Mudamos de curso cada vez que o vento muda
De direção.

- C.

Criaturinha.

A noite é fria. Ela é fria e atualmente me encontro revirando a cama procurando as palavras certas sobre como e quando dizer. Parece tanta coisa, e talvez até seja, e me é estranho a maneira como tudo vem e vai como uma balanço e eu me alterno dia sim dia não como um pêndulo.
Minhas mãos me imploram para serem esfregadas e eu as esfrego, quero que o inerte saia de perto de mim. Mas há tantas coisas que eu quero que estejam aqui próximas que eu já nem sei mais dar nome.
(Não tenho a intenção de escrever algo belo ou que rime ou que pare para refletir. Estou numa tentativa constante de chegar a algo sincero, como naqueles dias em que eu escrevi sem querer coisas lindas durante uma antiga primavera).
A primavera nova está aqui e vejo muitas cores. Dentre elas, o meu eterno amarelo, de brilho fraco, e o teu rosa choque, me preenchendo como se eu não pudesse evitar o contato.
E talvez nem devesse.
O caos nos é inevitável e por isso, por mais que eu queira, não poderia ter evitado os trilhos que me trouxeram até aqui.
A noite é fria, e constato isso vagarosamente enquanto coloco meias nos pés. A noite é calada não fora, mas dentro de mim e só ouço o tic-tac de um relógio que só poderia contar e bater as horas no seu próprio ritmo.
Aqui-o tempo-parou.
Os homens são criaturas contraditórias, inconstantes, instantes, efêmeras. São tão desastrados, despreparados, esperançosos, sem coração. Pois filho de criatura, criaturinha é, e talvez por isso não poderia ser diferente. Eu não poderia ser outra coisa se não aquela que se esvai todos os dias e ao mesmo tempo permanece, que muda de ideia 101 vezes por segundo e diz “obrigada” no fim de qualquer briga e balaio de gato.
Eu não poderia ser diferente. Eu não poderia querer nada além do que quero, não poderia fazer mais sentido do que hoje faço, e eu não poderia ser diferente do que hoje sou porque o nosso caos para mim é inevitável.
A noite é fria e eu também. Dentre todas as palavras que me atraem e atravessam, eu não poderia abrir os braços para nenhuma outra coisa ou almejar qualquer distância que fosse. Eu não poderia evitar mesmo se quisesse.
O amor tarda. O tempo passa. A meia me aquece. Sei disso.
Talvez antigamente eu lutasse por alguma outra coisa que não a loucura, talvez antigamente eu realmente achasse que sim. Mas hoje em dia, eu só entendo e pratico em cima das minhas muitas limitações. Eu sou só isso, fruto do acaso sincero que me deixou levar letra por letra até esse meio de caminho começado.
Sou só isso. Sou só.
Criaturinha.

- C.