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"É uma barbaridade o que a gente tem de lutar com as palavras, para obrigar as palavras a dizerem o que a gente quer."

- Mário Quintana

Pelo Direito de Ser Aborrecente.

Ah B., sei lá, sabe, só sou eu, nas maiores dificuldades que inclui ser eu mesma. As pessoas me dão parabéns por coisas que eu senti e aplaudem as minhas palavras. Quero que elas aplaudam as minhas palavras. Que raios de circo é esse? Os mesmos rostos me olhando feio no metrô. Como bolhas amorfas. E as pessoas não veem o meu refúgio, e as pessoas não se importam com as minhas peculiaridades e nem me consideram na hora de cada um por si. E eu me esqueço, mas depois me lembro e vou me buscar. Ah B., sei lá. Não é TPM nem nada, sou só eu ficando de saco cheio do resto do mundo.

- C.

Hoje, fui cobrir (como produção independente) uma vigília organizada pelo MOP@T (Movimento Palestina para Todos/as) para homenagear as vítimas do conflito entre Palestina e Israel. Vi a iniciativa no site Catraca Livre e como estaria na região, resolvi ir. O que eu sei da questão é que são quase dois séculos de mágoas, desentendimentos e morte desnecessárias de ambos os lados do conflito que hoje beira à uma nova guerra. Hoje quando fui cobrir esse evento, eu não sabia o que esperar, não sabia o que veria. E se querem saber, eu vi muita coisa. Vi muitos olhares perdidos, de gente que testemunhou a maldade dos homens, de gente que sofreu dela. Vi muitos discursos de vida indignados e emocionantes, de sobreviventes, de mães e amigos, de pessoas que vivem ou viveram de uma forma de outra o eco desse ódio. Eu vi nas vozes, nas acusações, na dor, esse ódio. Eu vi a amargura, o pesar, os pesadelos à noite. Eu vi e tomei nota, tirei foto como uma boa jornalista. Mas o que eu senti ficou em minhas orações naquele minuto de silêncio pelos mais de 200 nomes de desconhecidos que passaram no telão, por todos que sobreviveram, por todos que sofrem lá e aqui. “Porque a periferia é a nossa Faixa de Gaza”, disseram os poetas presentes. Eu senti um pouco do gosto amargo do que nenhum homem devia passar, mas eu também vi muita coisa boa. Vi muita gente solidária disposta a ajudar, vi muito apelo de paz nos olhares de jovens, funcionários, idosos, estudantes, muçulmanos, judeus, cristãos, pais e amigos. Vi muito do que o ser humano é capaz pra consigo mesmo, pra bom e pra ruim. E dentre as imagens da noite, captei a desse senhor, sem nome e sem endereço, que segurava esta vela, não sei para quem e nem porquê. Captei-a com o meu celular mesmo, ele nem se mexeu. Foi uma imagem que grudou em mim. Talvez tenha sido o olhar vazio dele, a vela na mão ou todo o contexto de fundo, não sei. Só sei que ela grudou. E talvez enquanto caminhava para casa ou talvez enquanto eu rezava ali mesmo, no meio da multidão, para o meu Deus, eu tenha entendido que ele talvez não estivesse rezando por um ente querido. Mas por todos nós.
- C.S.O, testemunha de uma vigília.

Survivor.

B.

Estamos no meio do sétimo mês do ano.

Sinceramente, não sei como sobrevivi tanto tempo.

- C.

 

Vazio.

"Sou só eu e minhas loucuras ouvindo as mesmas músicas no meu quarto às moscas, sozinho e às escuras. E eu pensando nas mesmas coisas que pensava quando andava por aí sem rumo passando o olho pelos mesmos discos que continham as mesmas músicas que eu ouvia só na escuridão e solidão do meu quarto meu. Divagando, metaforizando frases, lembrando de amores, amores diferentes dos teus, diferentes daqueles que arruinaram as outras canções mais felizes que eu costumava botar pra repetir e dançar e dança e dançar sem vírgula ou pausa ou mágoa, só a mais intensa coisa que não podia ser nomeada tendo que se conter nessa mesma palavra: amor. E as loucuras que eu sonhava eram como essas, mas melhores, loucuras como as que você me ensinou com a sua varinha de condão com seus dedos e sua mão tão esperta que descia por mim como um fio d’água numa flor sedenta de vida, vida, vida. Talvez eu, em alguma hora mais sensata, decidisse esquecer e me levantar pegar um copo de suco e voltar a deitar, mas ao invés disso eu só me mantinha ali olhando o teto me teletransportando pros tempos de noite, de mais morfina na minha veia e álcool e cigarro e drogas e tudo o que eu odeio com sons e barulhos que não faziam parte da minha trilha sonora. E a minha cabeça naquele fuzuê de ser eu mesma, de lembrar dos nossos diálogos, do seu "vai se foder" e do meu "não vou embora nunca". Ali só na intensidade das memórias, nos versos das músicas que faziam todo o sentido, do silêncio que me era, eu tirava as mesmas conclusões que tirava quando chorava dormindo, sorrindo, não fazendo nada e nada e nada e aquele vazio era um nada que me engolia, que me abria e abatia, que me devorava por dentro e por fora dependurado em mim, por e através de mim, me compreendendo, me surpreendendo, voltando do futuro pra me dizer que eu ainda não estava no meu caminho certo. E eu sabia disso."

- C.S.O

"We can’t fall any further

If we can’t feel ordinary love

We cannot reach any higher

If we can’t deal with

Ordinary love”

Ordinary Love - U2

Cartões - Postais.

B.

Você devia ver o tamanho da minha coleção de postais.

Tá ficando bem boa.

(Só quis comentar)

- da sua (colecionadora) C.

(Des)esperança.

B.

Acho que uma das piores coisas do mundo

É quando a gente espera por alguma coisa

E descobre que essa coisa não vem.

- C.

Porta-Retrato.

Minhas fotos

P&B

Do meu mundo

Colorido.

- C.S.O